A Secretaria de Saúde e Bem-Estar de Mogi das Cruzes confirmou, nesta segunda-feira (6), que subiu para 30 o número de atendimentos relacionados à intoxicação alimentar registrados nas unidades de saúde da cidade. Os pacientes apresentaram sintomas como diarreia, náuseas, vômitos e dores abdominais. Os casos foram atendidos na UPA do Rodeio, Pronto Atendimento do Jardim Universo e em um hospital particular.
Segundo a Prefeitura, os casos estão diretamente relacionados a um restaurante localizado no Jardim Aracy, que foi interditado pela Vigilância Sanitária após diligências no sábado (5). O local apresentou diversas irregularidades em relação ao Código da Vigilância Sanitária e às boas práticas de manipulação de alimentos, informou a administração municipal, acrescentando que parte dos funcionários intoxicados atuava na cozinha e no preparo das refeições servidas aos clientes, o que representava risco grave à saúde pública.“A Vigilância Sanitária trabalha sempre pautada no princípio da precaução. É nossa responsabilidade garantir a proteção contra riscos potenciais que possam causar danos sérios e até irreversíveis à saúde das pessoas”, explicou o diretor de Vigilância em Saúde, Jefferson Leite.
Durante as inspeções, a Vigilância também identificou quatro alojamentos utilizados por cerca de 170 trabalhadores do restaurante, vindos principalmente dos estados de Pernambuco, Maranhão e Ceará. As condições encontradas em parte desses locais foram consideradas insalubres, com falta de limpeza, ausência de água potável e deficiências nas condições sanitárias.
O alojamento masculino, onde viviam cerca de 100 homens, foi interditado. Cerca de 30 trabalhadores aceitaram o auxílio da Prefeitura e foram abrigados temporariamente no Pró-Hiper, que foi adaptado para recebê-los com camas, espaço de refeição, banho e atendimento médico. Outras quatro mulheres também foram acolhidas no local. Parte dos trabalhadores decidiu retornar às suas cidades de origem ou se hospedou em hotéis da cidade.
Nos alojamentos femininos e de casais, foram apontadas apenas solicitações de melhorias estruturais e de ventilação. Não houve interdição desses espaços.
Força-tarefa e medidas legais
Uma força-tarefa com mais de 100 servidores municipais foi mobilizada de forma emergencial no fim de semana para estruturar o abrigo no Pró-Hiper. Além de atendimento médico e social, uma equipe jurídica prestou orientações sobre direitos trabalhistas aos funcionários afetados. A Prefeitura informou que os representantes do restaurante se comprometeram a pagar os dias trabalhados até esta segunda-feira (6).
Diante da gravidade da situação, o Ministério Público e o Ministério Público do Trabalho foram acionados pela Secretaria Municipal de Governo. Um boletim de ocorrência também foi registrado na Polícia Civil, que conduz as investigações criminais.
A Vigilância Sanitária segue analisando as causas da contaminação alimentar e reforça que as fiscalizações em restaurantes e alojamentos continuarão sendo realizadas de forma rotineira em toda a cidade.
“Ao identificar situações que coloquem em risco a saúde das pessoas, o município age de forma imediata e rigorosa. Nossa missão é prevenir danos e assegurar que os estabelecimentos cumpram as normas sanitárias”, reforçou Jefferson Leite.
O Pró-Hiper permanecerá fechado para atividades esportivas e recreativas até a normalização da situação.
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